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O que são lidos italianos e por que encantam


Lido di Venezia
Lido di Venezia

IImagine chegar ao mar no fim da manhã, escolher uma espreguiçadeira, pedir um café e passar horas entre um mergulho, uma conversa e um prato de peixe. É nesse cenário que se entende o que são lidos italianos.

Mais do que praias equipadas, eles são pontos de encontro à beira-mar. Lugares onde um dia aparentemente comum pode guardar algumas das memórias mais importantes de uma vida: as primeiras férias com alguma liberdade, os amigos conhecidos durante o verão, as primeiras vezes nadando sozinho, as noites que pareciam não terminar e, para muita gente, os primeiros beijos.

Na Itália, sobretudo durante o verão, ir ao lido pode significar reservar o seu lugar na areia, reencontrar as mesmas famílias de todos os anos, almoçar com calma e ficar até o entardecer. Há mar, claro, mas há também convivência, hábitos, gerações inteiras e mesas que parecem não ter hora para terminar.

Foi dessa memória que nasceu o LIDO amici di amici, em Pinheiros.


O que são lidos italianos, afinal?

Lido é o nome dado a um estabelecimento balneário organizado, geralmente instalado em uma faixa de praia ou junto ao litoral. Em vez de chegar apenas com uma toalha e procurar um lugar livre na areia, quem frequenta um lido costuma encontrar guarda-sóis, cadeiras ou espreguiçadeiras, vestiários, duchas, banheiros e, muitas vezes, bar e restaurante.

A palavra pode causar alguma confusão porque tem usos diferentes. O Lido di Venezia, por exemplo, é uma ilha entre a lagoa veneziana e o mar Adriático, conhecida por suas praias, sua arquitetura e pelo Festival de Cinema de Veneza. Em outras cidades costeiras, dizer “vamos ao lido” normalmente quer dizer simplesmente: vamos passar o dia em um estabelecimento de praia.

Cada lido tem a sua personalidade. Alguns são simples, familiares e cheios de crianças correndo entre as mesas. Outros têm cabanas, restaurantes mais estruturados, música e serviço à mesa. Há lidos históricos, frequentados pela mesma família durante décadas, e outros mais recentes, que misturam praia, design, gastronomia e programação cultural.

O ponto em comum é a possibilidade de permanecer. Não apenas entrar no mar e voltar para casa, mas ocupar aquele espaço durante algumas horas, encontrar pessoas e deixar o tempo correr de uma maneira diferente.


Uma pequena cidade construída para o verão

Os lidos acompanharam o desenvolvimento da cultura dos banhos de mar na Europa entre os séculos XIX e XX. No início, o contato com a água salgada era associado tanto ao lazer quanto à saúde. Aos poucos, as cidades costeiras começaram a receber famílias inteiras durante temporadas cada vez mais longas.

A ida à praia deixou de ser apenas um banho rápido e virou um programa para o dia inteiro.

Era preciso trocar de roupa, guardar objetos, sentar à sombra, comer, descansar e encontrar conhecidos. Assim, os lidos passaram a funcionar como pequenas cidades de verão: tinham seus lugares habituais, seus personagens, suas regras não escritas e até suas próprias histórias de amor e amizade.

Por isso, para muitos italianos, um lido nunca é apenas um estabelecimento balneário.

É o lugar onde os avós jogavam cartas enquanto as crianças entravam e saíam do mar. Onde se comia um sanduíche ainda com o cabelo molhado. Onde os adolescentes podiam ficar um pouco mais longe dos pais. Onde se formavam grupos de amigos que talvez existissem somente durante julho e agosto, mas que, naquele momento, pareciam destinados a durar para sempre.

Algumas dessas amizades terminavam quando acabavam as férias. Outras atravessavam décadas. Mas a intensidade daquele encontro não dependia necessariamente de sua duração.


Amizades de verão, breves e inesquecíveis

Há uma sociabilidade muito particular nos lidos italianos.

Durante as férias, pessoas vindas de cidades, famílias e culturas diferentes passam a dividir o mesmo trecho de praia. Encontram-se todos os dias, ocupam guarda-sóis próximos, almoçam nas mesmas mesas e começam a reconhecer os hábitos umas das outras.

Uma criança conhece outra enquanto brinca na água. Um amigo apresenta um amigo. Duas famílias juntam as mesas. Um grupo combina de se encontrar à noite. Aos poucos, cria-se uma comunidade que não existia antes daquele verão e talvez deixe de existir quando todos voltarem para casa.

Esses laços podem durar uma tarde, algumas semanas ou uma vida inteira. O que importa é que, durante aquele período, foram verdadeiros.

É uma forma de amizade espontânea, construída sem grandes planos: alguém chega acompanhado, outro aproxima uma cadeira e, quando se percebe, a mesa já ficou maior.

Essa ideia está no centro do nome amici di amici.


Da Ligúria a Veneza e Mondello: cada lido tem seu sotaque

Não existe um único modelo de lido italiano. A costa é longa, e cada região leva para a praia sua paisagem, sua comida e seu jeito de conviver.

Na Ligúria, onde as montanhas parecem terminar diretamente no Mediterrâneo, os espaços costumam se acomodar entre pedras, pequenas praias, passeios marítimos e bairros construídos muito perto da água.

Em Gênova, o mar faz parte da cidade. Ao longo de Corso Italia estão praias urbanas e estabelecimentos balneários históricos, entre eles o Lido di Genova, também conhecido como Nuovo Lido. Sua história atravessa mais de um século e guarda lembranças de diferentes gerações de genoveses.

Ali perto, Boccadasse parece resumir outra face da relação genovesa com o mar: pequenas casas coloridas, barcos puxados para a areia, sorvetes, aperitivos e mesas diante da água. Não é exatamente um lido, mas carrega o mesmo convite para ficar um pouco mais.

No Lido di Venezia, a experiência ganha outra escala. A ilha se estende entre a lagoa e o Adriático, com praias de areia, hotéis históricos, cabanas e um espírito ao mesmo tempo balneário e cosmopolita. Durante o Festival de Cinema, esse cotidiano de praia se encontra com o mundo dos filmes, dos artistas e das noites venezianas.

Na Sicília, Mondello é a praia de Palermo por excelência. Sua baía em forma de meia-lua, cercada por montanhas e construções em estilo Liberty, recebe os palermitanos desde os primeiros dias de calor. O histórico estabelecimento balneário construído sobre a água tornou-se um dos símbolos dessa cultura marítima da cidade.

Em todos esses lugares, a paisagem muda, mas o gesto se repete: encontrar um espaço perto do mar, sentar com outras pessoas e permitir que aquele encontro dure.

LIDO di Genova
LIDO di Genova

O restaurante também faz parte do lido

Reduzir um lido a guarda-sóis e espreguiçadeiras seria perder uma das partes mais gostosas da história.

Em muitos deles, a comida é central. Nem sempre se trata de alta gastronomia, e nem precisa ser. A graça pode estar justamente em um prato simples, preparado com bons ingredientes e servido no momento certo: uma fritura de frutos do mar, mexilhões, peixe grelhado, salada, focaccia, massa com pesto ou uma sobremesa gelada depois de horas de sol.

Na Ligúria, essa relação entre litoral e mesa é especialmente forte. O mar oferece pescados e frutos do mar; as colinas trazem manjericão, ervas, azeitonas e vegetais; os portos acrescentam histórias de comércio, viagem e encontros entre culturas.

Pesto genovês, farinata de grão-de-bico, massas frescas e receitas marítimas convivem naturalmente. É uma cozinha direta, perfumada e generosa, que não precisa esconder o ingrediente sob muitos ornamentos.

Ao longo do dia, o próprio lido também se transforma. A mesa que recebeu um almoço em família pode, algumas horas depois, reunir amigos. A luz muda, o calor diminui e aquele lugar conhecido durante o dia ganha uma segunda vida.


Por que o LIDO se chama LIDO

O nome do restaurante não foi escolhido apenas porque lembrava o mar ou porque soava italiano.

O LIDO nasceu de um grupo de amigos italianos que queria criar, em São Paulo, um lugar onde fosse possível se reunir com a mesma espontaneidade encontrada nos lidos da Itália.

Não se tratava de reproduzir literalmente uma praia italiana em Pinheiros. Não temos o Mediterrâneo diante da porta e seria complicado espalhar areia pelo salão. A ideia era trazer para a cidade aquilo que realmente permanece na memória desses lugares: a liberdade, a convivência, a comida, os encontros e a sensação de que, durante algumas horas, não existe tanta urgência em ir embora.

O LIDO nasceu, portanto, de uma lembrança compartilhada.

A lembrança das férias, dos amigos novos, das mesas reunidas sem planejamento, das primeiras aventuras vividas longe da rotina e daqueles momentos que talvez tenham durado apenas um verão, mas continuaram presentes durante muitos anos.

É um restaurante inspirado não apenas na aparência dos lidos italianos, mas no que acontecia dentro deles.


E por que amici di amici?

Em italiano, amici di amici significa “amigos de amigos”.

A expressão carrega uma maneira muito simples de formar uma comunidade: alguém convida uma pessoa, que apresenta outra, que aproxima mais uma cadeira. Aos poucos, o grupo cresce e pessoas que não se conheciam passam a dividir comida, histórias e algumas horas de prazer.

Foi assim que o próprio LIDO começou: entre amigos italianos e pessoas que foram chegando por meio de outras pessoas.

O nome também traduz aquilo que desejávamos que acontecesse no restaurante. Que ele fosse confortável para vir com os amigos que já fazem parte da sua vida, mas também aberto à possibilidade de conhecer alguém novo. Um lugar para encontros marcados e para encontros imprevistos.

Às vezes, uma amizade pode nascer de uma conversa rápida. Outras vezes, de um prato dividido ou de alguém que oferece espaço na mesa. Não é preciso que toda relação dure para sempre para que tenha valor. Algumas existem somente durante aquela noite, mas tornam a noite melhor.

A mesa compartilhada do restaurante LIDO amici di amici
A mesa compartilhada do restaurante LIDO amici di amici

A mesa compartilhada como uma pequena praia

A grande mesa compartilhada do LIDO nasceu dessa mesma ideia.

Nos estabelecimentos balneários italianos, as fronteiras entre os grupos podem ser menos rígidas do que parecem. As pessoas chegam próximas, reconhecem-se depois de alguns dias, juntam cadeiras e começam a conversar.

A mesa compartilhada tenta criar essa possibilidade no meio de São Paulo.

Não significa que todos precisem conversar ou que não exista espaço para uma noite mais reservada. Significa apenas que o restaurante deixa aberta a chance do encontro.

De um lado, há quem queira dividir pratos com um grupo grande. De outro, há casais, famílias e pessoas que preferem um canto tranquilo. Entre eles, existe uma casa viva, onde diferentes histórias acontecem ao mesmo tempo.

Como em um lido durante o verão.


O espírito do lido longe do mar

O espírito de um lido aparece menos nos objetos decorativos do que no modo como as pessoas ocupam um espaço.

Há conforto para ficar, comida pensada para compartilhar, bebidas que acompanham a conversa e liberdade para estender o momento. Há uma hospitalidade que não exige solenidade e uma elegância que não precisa ser distante.

É essa memória mediterrânea que inspira o LIDO amici di amici, em Pinheiros: a cozinha ligur e genovesa, o mar como referência, a mesa compartilhada e a vontade de fazer uma noite comum ganhar um pouco da intensidade de umas férias italianas.

Quando alguém pergunta o que são lidos italianos, portanto, a resposta mais precisa não cabe apenas em uma definição de dicionário.

Eles são estabelecimentos balneários, certamente. Mas são também lugares de memória, arquiteturas de verão e pequenas comunidades temporárias. Espaços onde pessoas de diferentes idades e lugares se encontram e, durante algum tempo, vivem juntas uma rotina mais leve.

Talvez seja essa a principal lembrança que trouxemos para São Paulo: bons encontros não exigem uma ocasião extraordinária.

Às vezes, basta uma mesa, algo saboroso para dividir e um amigo que chega acompanhado de outro amigo.

 
 
 

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